Bem-vindo ao site do Norte de Mato Grosso, Peixoto de Azevedo/MT, segunda 18 de dezembro 2017
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Saúde e Bem Estar - Saúde - Bucal

Seu dente pode morrer sem que você perceba

A morticação pulpar pode ser causada por cáries ou traumas que ultrapassem a capacidade de defesa do organismo

Pouca gente sabe, mas os dentes podem morrer. Esse processo tem até nome: mortificação pulpar. Ele acontece quando o tecido vivo, a polpa ou "nervo", que há no interior do dente morre.

O processo de mortificação pulpar é assintomático até o momento que ela se estende para o periodonto (estrutura de suporte do dente): "Neste momento o paciente começa a ter sensibilidade a palpação, dor na mastigação, sensação de dente crescido, leve mobilidade, inchaço local, sensibilidade ao alimento mais quente", aponta Cássia Sigueta Detilio, dentista especializada em implantodontia.

A mortificação pulpar pode se manifestar de forma aguda ou crônica, complementa Cláudia Freitas (CRO-SP 75.271), dentista da Quallis Odontologia: "Se aguda, os sintomas são dor espontânea, aumentada pelo calor, contínua e raramente localizada. Se crônica, há a ausência de dor espontânea, só ocorrendo quando provocada, por exemplo, durante a mastigação ou toque no dente".

"Eu quis até arrancar o dente de tanta dor!"
A jornalista Clarissa Janini sofreu um caso de mortificação pulpar no primeiro semestre deste ano. Os primeiros sintomas não permitiam que ela identificasse a natureza da dor, segundo Clarissa: "Eu sentia um pouco de sensibilidade do meu lado inferior direito, tanto para água gelada como para comer alimentos mais duros. Como não era frequente comecei a jogar o alimento mais pro lado esquerdo. E aí, fui piorando aos poucos até a véspera de uma viagem de férias, quando sentia uma dor muito forte no maxilar direito - nem dava para identificar qual dente era".

Ela tentou amenizar a dor com antiinflamatórios antes da viagem, porém, a dor se intensificou. Clarissa procurou um dentista durante a viagem e também um pronto-socorro, mas não obteve um diagnóstico para o problema. "Eu estava até querendo arrancar o dente de tanta dor! O dentista recomendou um antiinflamatório a base de buscofeno, mas os intervalos que eu tinha tomar foram ficando cada vez menores: foi um alívio muito fugaz", conta ela.

Clarissa consultou sua dentista e a própria mãe, que é médica, via Whatsapp, e ambas a orientaram a pedir um antibiótico no pronto-socorro local, apenas com essa medicação a dor diminuiu a ponto de ser identificável qual era o dente dolorido.

Resultado: a jornalista antecipou a volta pra casa, em São Paulo, onde sua dentista de confiança só chegou ao diagnóstico correto após uma longa análise e uma série de radiografias e testes para enfim identificar a mortificação pulpar.

A causa da mortificação pulpar de Clarissa, porém, não foi identificada. Ela pode ter ocorrido meses antes dos primeiros sintomas - o aumento da sensibilidade do dente, no caso, para alimentos gelados e mais duros. Entre as causas da mortificação, podemos destacar a cárie ou algum trauma que ultrapasse a capacidade de defesa da polpa, levando-a à necrose completa. A dentista removeu a parte necrosada e realizou um tratamento de canal no local para preservar o dente. "O tratamento levou umas três ou quatro consultas, mas eu ainda sinto esse dente mais sensível que os outros", avalia Clarissa.

Dente morto e agora?
O tratamento é basicamente o recebido pela jornalista Clarissa Janini, segundo a Claudia Freitas: "É feita a remoção polpa necrosada, a limpeza e desinfecção do interior do canal e seu selamento com material obturador". Pode haver a necessidade de que o paciente tome analgésicos e antibióticos.

Se o paciente for atendido em tempo hábil por um dentista, não há risco de perda do dente. "Após o tratamento endodôntico, vamos obter um dente sem vitalidade, mas não haverá a perda", diz Cássia.

"Se o processo de mortificação pulpar for agudo, o socorro deverá ser imediato para conter a dor. Se for crônico, ele poderá se programar para uma futura consulta a curto prazo, pois está com um processo degenerativo em andamento na sua boca", alerta Cláudia.

Como não entrar nas estatísticas da mortificação pulpar
A prevenção da mortificação pulpar se dá com uma higiene bucal adequada: com escovação após as refeições, uso do fio ou da fita dental e visitas periódicas ao dentista - assim ele poderá identificar possíveis cáries ou outros agentes irritantes da polpa no início do processo e, assim, evitar a necrose.

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